Ainda sou muito ingênua, sim. Porque ainda acredito demais nas pessoas, no amor, na humanidade. Acredito em gentileza que gera gentileza, em empatia, em um mundo melhor. Se eu perder isso, eu viro o que? Hein?
Me diz. Cê fala num tom como se isso fosse um defeito, uma falha, um delay eu, nessa idade, ainda ter tanta "ingenuidade". Fé na vida, eu prefiro chamar assim. E, acontece que o dia que eu perder isso, não vai sobrar mais nada de mim.
Eu já perdi muita coisa bonita nessa caminhada até aqui. Tive que aprender a desconfiar, não me precipitar, não me jogar, a medir as palavras. Tive que entender que as pessoas mentem porque sim, sem que haja necessidade ou alguma razão plausível. Que as pessoas traem, não são sinceras nem com elas mesmas...
Eu tive que ser pequena, menos, contida por um tempo, pra depois poder ser mais, inteira e intensa outra vez. Pra ser exagerada com convicção, bancar quem eu sou e pagar o preço que for. Pra segurar, tranquila e serena, qualquer tranco, menos o de ter que ser podada de novo.
Deixem minhas flores, assim como eu deixo vocês e seus espinhos. Deixa eu ver o mundo cheio de cores! Mesmo que, na verdade, tenha muito mais cinza pelos caminhos. Deixa eu ver o lado bom de tudo e, se não tiver, eu invento. E se/ou quando eu quebrar a cara, tudo bem! É que eu prefiro colecionar decepções do que morrer por dentro.





